sexta-feira, 31 de julho de 2009

POR TERRAS DE SANTA BÁRBARA I

A Procissão

Tocam os sinos da torre da igreja, Há rosmaninho e alecrim pelo chão.

Na nossa aldeia que Deus a proteja! Vai passando a procissão.
Mesmo na frente, marchando a compasso, De fardas novas, vem o solidó.
Quando o regente lhe acena com o braço, Logo o trombone faz popó, popó.

Olha os bombeiros, tão bem alinhados! Que se houver fogo vai tudo num fole. Trazem ao ombro brilhantes machados, e os trompetes rebrilham ao sol.
Tocam os sinos na torre da igreja, Há rosmaninho e alecrim pelo chão. Na nossa aldeia que Deus a proteja! Vai passando a procissão.
Olha os irmãos da nossa confraria! Muito solenes nas opas vermelhas!
Ninguém supôs que nesta aldeia havia Tantos bigodes e tais sobrancelhas!
Ai, que bonitos que vão os anjinhos! Com que cuidado os vestiram em casa!
Um deles leva a coroa de espinhos. E o mais pequeno perdeu uma asa!

Tocam os sinos na torre da igreja, Há rosmaninho e alecrim pelo chão. Na nossa aldeia que Deus a proteja! Vai passando a procissão
Pelas janelas, as mães e as filhas, As colchas ricas, formando troféu.
E os lindos rostos, por trás das mantilhas, Parecem anjos que vieram do Céu!

Com o calor, o Prior aflito. E o povo ajoelha ao passar o andor.

Não há na aldeia nada mais bonito Que estes passeios de Nosso Senhor!

Tocam os sinos na torre da igreja, Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja! Já passou a procissão.
A Procissão. 
António Lopes Ribeiro