Este blogue consta de uma compilação de retratos da natureza e intervenção humana em ambiente rural e urbano que O Cidadão abt vai capturando com a sua objectiva durante as caminhadas, será despejada neste blogue de muitos pixeis e poucos bitáites, dando ao ciberleitor a possibilidade de clicar sobre cada uma das fotos e de seguida na tecla F11 para melhor as poder desfrutar em ecrã total... Ligue o som e... passe por bons momentos!



sábado, 8 de agosto de 2009

POR TERRAS DE SANTA BÁRBARA II


A Festa


Sei que está em festa, pá
fico contente


E enquanto estou ausente

Guarda um cravo para mim

Eu queria estar na festa, pá


Com a tua gente




E colher pessoalmente
Uma flor no teu jardim

Sei que há léguas a nos separar

Tanto mar, tanto mar

Sei, também, que é preciso, pá
Navegar,

navegar…
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente

Ainda guardo renitente... Um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente

Esqueceram uma semente Nalgum canto de jardim...

Sei que há léguas a nos separar Tanto mar, tanto mar

Sei, também, quanto é preciso, pá Navegar, navegar

Canta primavera, pá

Cá estou carente

Manda novamente

Algum cheirinho de alecrim.

“Tanto Mar”
Chico Buarque.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

POR TERRAS DE SANTA BÁRBARA I

A Procissão

Tocam os sinos da torre da igreja, Há rosmaninho e alecrim pelo chão.

Na nossa aldeia que Deus a proteja! Vai passando a procissão.
Mesmo na frente, marchando a compasso, De fardas novas, vem o solidó.
Quando o regente lhe acena com o braço, Logo o trombone faz popó, popó.

Olha os bombeiros, tão bem alinhados! Que se houver fogo vai tudo num fole. Trazem ao ombro brilhantes machados, e os trompetes rebrilham ao sol.
Tocam os sinos na torre da igreja, Há rosmaninho e alecrim pelo chão. Na nossa aldeia que Deus a proteja! Vai passando a procissão.
Olha os irmãos da nossa confraria! Muito solenes nas opas vermelhas!
Ninguém supôs que nesta aldeia havia Tantos bigodes e tais sobrancelhas!
Ai, que bonitos que vão os anjinhos! Com que cuidado os vestiram em casa!
Um deles leva a coroa de espinhos. E o mais pequeno perdeu uma asa!

Tocam os sinos na torre da igreja, Há rosmaninho e alecrim pelo chão. Na nossa aldeia que Deus a proteja! Vai passando a procissão
Pelas janelas, as mães e as filhas, As colchas ricas, formando troféu.
E os lindos rostos, por trás das mantilhas, Parecem anjos que vieram do Céu!

Com o calor, o Prior aflito. E o povo ajoelha ao passar o andor.

Não há na aldeia nada mais bonito Que estes passeios de Nosso Senhor!

Tocam os sinos na torre da igreja, Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja! Já passou a procissão.
A Procissão. 
António Lopes Ribeiro